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terça-feira, 26 de junho de 2012

TRECHOS DO LIVRO DESCOBRINDO O DOM PROFÉTICO DE MIKE BICKLE


Capítulo 5

Deus Ofende a Mente para
Revelar o Coração

          A introdução do ministério profético em nossa igreja foi difícil para mim porque eu desprezava o comportamento excêntrico de algumas das pessoas que Deus usava. Tinha dificuldade, também, em aceitar alguns dos seus métodos insólitos, totalmente estranhos a toda minha formação evangélica e experiência anterior.
          Não era apenas o ministério profético que me incomodava; as outras manifestações do Espírito Santo, também, geralmente contrariavam meu senso de ordem e respeito. Antes que pudesse caminhar junto com o que Deus queria fazer conosco, como igreja, eu precisava lidar com aquilo que ofendia minha razão.
          Nós, cristãos, criamos uma série de pressuposições religiosas sobre como Deus lida conosco. Ele é cavalheiro, dizemos, alguém que nunca arromba a porta, mas polidamente aguarda do lado de fora, batendo com educação e esperando pacientemente.
          Pensamos do Espírito Santo como alguém extremamente tímido ou sobressaltado. Se quisermos que o Espírito Santo aja, é necessário ficar parados e quietos. Se um bebê chorar, de acordo com alguns, o Espírito Santo pode se retirar ou talvez se assustar. Isto parece ridículo, mas muitas pessoas, tanto pentecostais como evangélicos tradicionais, vivem sob pressupostos como esse.
          Paulo instruiu os coríntios a não proibir línguas ou profecia, mas que tudo fosse feito “com decência e ordem” (1 Co 14.40). Nossa equipe de liderança tem se empenhado muito em criar uma atmosfera em que o livre fluir dos dons espirituais aconteça em “decência e em ordem”.
          Mas alguns têm interpretado a instrução de Paulo, para advertir às pessoas que agem na carne, de maneira a sugerir que o Espírito Santo só opera nos parâmetros estabelecidos por nosso senso de ordem e respeitabilidade. Não foi assim que ocorreu no Antigo Testamento, nem na Igreja Primitiva, nem nos avivamentos ao longo da história.
          Duas coisas são claras. Primeiro, o Espírito Santo não parece estar muito preocupado com nossa reputação.
          O derramamento do Espírito Santo não contribuiu muito para edificar a reputação daqueles que esperavam naquele cenáculo. “Estes homens não estão bêbados, como vocês supõem”, disse Pedro. Algumas pessoas, quando cheias do Espírito, parecem estar bêbadas. Posso imaginar Pedro pregando seu sermão em Atos 2, enquanto ele mesmo ainda sentia alguns dos santos efeitos do êxtase dos céus.
          Pedro dirigiu seu primeiro sermão aos forasteiros que estavam em Jerusalém para a festa de Pentecostes. Muitos destes ficaram maravilhados e perplexos ao ouvirem louvores a Deus em suas próprias línguas (At 2.8-12).
          Mas Pedro também pregou aos mais religiosos de todos, os fariseus hebraicos da Judéia que, ao serem ofendidos em suas mentes, zombaram deles dizendo: “Eles beberam vinho demais” (v.13). O comportamento dos discípulos pode ter parecido totalmente incompreensível aos olhos dos líderes religiosos, no entanto, tratava-se da obra do Espírito Santo.
          Um segundo fato sobre o modo como o Espírito trata conosco é este: Contrariando a imagem que temos dele, de educação, timidez e cavalheirismo, Ele intencionalmente escandaliza as pessoas.
          Deus agradou-se em ofender os gentios pela loucura do Evangelho e em fazer os judeus tropeçarem no escândalo da cruz (1 Co 1.21-23). Paulo advertiu os gálatas que se começassem a exigir a prática da circuncisão, como queriam os judeus, então “o escândalo da cruz foi removido”. A implicação é que o evangelho, pelo próprio desígnio de Deus, às vezes escandaliza.


                       A Ofensa Intencional


          Um bom exemplo de como Deus ofende intencionalmente as pessoas está em João 6. Jesus havia alimentado cinco mil pessoas com a multiplicação dos peixes e dos pães. Agora esperavam que o Messias provasse sua divindade através de grandes sinais, algo maior do que multiplicar pão ou curar pessoas. Estavam antecipando mais comparável a abrir o Mar Vermelho, fender o Monte das Oliveiras ou trazer fogo dos céus. Perguntaram a Jesus:

Que sinal miraculoso mostrarás para que o vejamos e creiamos em ti? Que farás? Os nossos antepassados comeram o maná no deserto (Jo 6.30-31a).

          Em outras palavras, estavam pedindo que Jesus fizesse algo como fazer cair maná dos céus novamente. Jesus não fez o sinal que queriam, mas respondeu dizendo:

Eu sou o pão vivo que desceu do céu (v. 51a). Eu lhes digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia (vv. 53-54).

Jesus ofendeu seu raciocínio teológico ao dizer que Ele era o pão vivo que desceu do céu (Jo 6.33-35). Ofendeu suas expectativas ao se recusar a realizar o sinal que queriam (Mt 12.39-40). E ofendeu seu senso de sabedoria e dignidade ao sugerir que comessem sua carne e bebessem seu sangue (Jo 6.53-54).
A primeira reação deles foi criticá-lo (Jo 6.41). Depois “começaram a discutir exaltadamente entre si” (v. 52). Até mesmo seus discípulos ficaram perplexos e disseram: “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” (v. 60).
Consciente de suas murmurações, Jesus perguntou: “Isso os escandaliza?” (v. 61). Por estarem escandalizados em suas mentes, até muitos de seus discípulos voltaram atrás e deixaram de seguir o Filho de Deus (v. 66).
Em toda a Bíblia, Deus é revelado como aquele que escandaliza e confunde os que julgam ter decifrado todos os enigmas e os que estão amarrados em suas tradições e expectativas de como Deus opera. Pode-se dizer que são pessoas que sofrem de “endurecimento de coração”. As palavras de Isaías são citadas várias vezes no Novo Testamento (veja 1 Pe 2.8 e 1 Co 1.23):

Ele será ... uma pedra de tropeço, uma rocha que faz cair (Is. 8.14a).

Jesus conhecia seus corações – sabia que a maioria amava suas tradições mais do que a Deus. Ele também sabia que aqueles que voltaram atrás em João 6 o estavam seguindo antes por motivos misturados. Ao ofender intencionalmente suas mentes, Ele estava revelando seus corações.
Ao ofender as pessoas com seus métodos, Deus revela o orgulho, a auto-suficiência e a falsa obediência escondidos no coração das pessoas.
O general Naamã, comandante das tropas sírias, tinha a doença da lepra. No seu desespero, foi procurar um profeta de Deus em Israel. Israel era inimigo militar da Síria.
Mas Eliseu apenas enviou uma mensagem a Naamã, dizendo: “Vá e lave-se sete vezes no rio Jordão; sua pele será restaurada e você ficará purificado” (2 Rs 5.10). O profeta nem mesmo se deu ao trabalho de sair de sua casa e ver este homem que viera de tão longe. Desnecessário dizer que Naamã, um proeminente líder militar na Síria, ficou tão ofendido que disse:

“Não são os rios Abana e Farfar, em Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Será que não poderia lavar-me neles e ser purificado?” E foi embora dali furioso (v. 12).

Conheço algumas pessoas desagradáveis que fazem questão de ofender as pessoas. A ofensa da parte de Deus, ao contrário, é redentora. Ele ofende a mente das pessoas para revelar o que está no coração. A Bíblia ensina que Deus dá graça aos humildes e resiste aos soberbos (Pv 3-34; Tg 4-6; 1 Pe 5.5-6). Lidar com o obstáculo do orgulho de Naamã era o primeiro e essencial passo para sua cura, que ele recebeu quando foi humildemente obediente às palavras de Eliseu.


             Ofendido Pelas Pessoas Que Deus Usa

Paulo escreveu que Deus ofende as pessoas, não apenas por sua mensagem, mas também por seus mensageiros:

Mas Deus escolheu o que para o mundo é loucura para envergonhar os sábios, e escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte. Ele escolheu o que para o mundo é insignificante, desprezado e o que nada é, para reduzir a nada o que é, a fim de que ninguém se vanglorie diante dele (1 Co 1.27-29).

Entendo que o contexto deste princípio (a ofensa intencional por parte de Deus) se refere a questões muito mais amplas do que profetas esquisitos e manifestações excêntricas. Mas nestes casos, o princípio pode ser aplicado claramente.
Enquanto estava pastoreando em Saint Louis, a idéia de que Deus ofende a mente para revelar o que está no coração tornou-se muito real para mim. Preguei sobre isso várias vezes. Pensei que Deus estava nos preparando para um derramamento do Espírito Santo, que incluiria várias coisas incomuns. Cria fortemente na vontade e no poder de Deus para curar os enfermos. Pensei que talvez houvesse algumas curas inusitadas. Eu não tinha nenhuma experiência com o ministério profético como o conheço hoje.
Em retrospectiva, vejo que Ele estava me preparando para não me escandalizar com a excentricidade dos profetas que eu conheceria nos meses seguintes em Kansas City.


   Ofendido pela Excentricidade dos Métodos Proféticos


          Algumas pessoas são “diferentes” por sua própria personalidade e cultura, mas Deus os chamou assim mesmo. Outros são levados a fazer coisas estranhas em função de seu chamado e ministério proféticos.
          Comparados ao sujeito normal que trabalha numa fábrica, ali no seu bairro, alguns profetas podem parecer bem excêntricos. Levei um bom tempo para me acostumar com algumas de suas idiossincrasias que, no princípio, ofendiam muito a minha mente. A verdade é que algumas de suas idiossincrasias ainda me irritam, mas aprendi a passar por cima disto, a fim de receber as bênçãos de Deus através destes servos dele.
          Quando conheci Bob Jones, eu estava plenamente convencido que ele não era de Deus. Não tinha desejo nenhum de falar novamente com ele. Eu tinha muito pouca experiência com pessoas proféticas e nenhuma conclusão teológica sobre o assunto. Entretanto, minha firme convicção era que ele só podia ser um falso profeta.
          Hoje me surpreende lembrar como tinha conclusões definitivas sobre assuntos que não entendia, nem experimentara. Acho que isso se chama orgulho. Ao olhar para trás, vejo que um dos principais fatores que me influenciaram era o fato de Bob parecer e agir de forma tão estranha.
          Ela falava constantemente em parábolas. Eu sabia que Deus também fala em parábolas, mas o que ele falava era realmente estranho. Bob me contava histórias simbólicas, cheias de ilustrações para os quais eu não tinha interpretação alguma. Depois, ainda dizia que Deus lhe havia contado aquelas parábolas. Eu não tinha nenhuma base ou ponto de referência para fundamentar sua alegação de que Deus fala de modo tão abstrato às pessoas hoje.
          Seu estilo ministerial não parecia nada que eu tivesse visto anteriormente. Ele falava de sentir o sopro do Espírito ou que suas mãos ficavam aquecidas durante a ministração.
          Ele falava como uma pessoa sem cultura. Sua aparência era tal que jamais podia ser acusado de vaidade ou de ser dominado pela moda. De vez em quando, a camisa ou as calças que usava eram muito curtas. Às vezes, sua barriga aparecia quando ficava de pé e, quando se sentava, suas calças subiam uns oito centímetros acima das meias.
          Estas coisas sobre Bob Jones de algum modo me ofendiam – sua aparência, sua linguagem, sua revelação e seu estilo ministerial. Inicialmente, não conseguia imaginá-lo como um genuíno profeta de Deus e nem podia acreditar que era inspirado pelo Deus da Bíblia. Só depois de ver a precisão das suas palavras proféticas, com o passar de algum tempo, pude finalmente começar a aceitar seu estranho estilo ministerial. Seu amor por Jesus e pelas Escrituras também se tornaram muito evidentes. No fim, acabei me afeiçoando a ele. Há várias coisas que devemos ter em mente ao examinarmos métodos proféticos.


                       Pessoas Desequilibradas


          Algumas pessoas desequilibradas estão simplesmente tentando parecer estranhas, por causa de conceitos errados que têm a respeito do ministério profético. Eles se empolgam com a idéia de profetas excêntricos e agem intencionalmente fora da normalidade. Supõem que sua estranheza os tornará mais ungidos.
          Não creio que só porque alguém é profeta, esta pessoa deva necessariamente agir de maneira estranha ou ser perseguida. Algumas pessoas procuram uma desculpa nisto para fazer toda espécie de coisa, alegando que ninguém poderá entendê-las a não ser que também tenha unção profética. Não aceito isso, nem por um segundo.
          Algumas pessoas gostam da excentricidade de Bob Jones e tentam imitá-la, porque acham que representa espiritualidade quando, na verdade, são aspectos de sua própria personalidade e criação. Às vezes, métodos estranhos são apenas estranhos. Não é um caso de Deus ofendendo a mente das pessoas, mas apenas do profeta possuir um método e um estilo incomum. Tais coisas precisam ser corrigidas jeitosamente, no caso do profeta querem funcionar em reuniões públicas.


                          Os Profetas são Solitários?


          A Bíblia fala de “grupos” ou “discípulos” de profetas (1 Sm 10.10; 2 Rs 4.1e 5.22). Isto nos lembra que há uma dimensão coletiva para se desenvolver os dons proféticos entre o povo de Deus. Não é sempre necessário que um profeta ouça de Deus isoladamente, para depois entregar esta palavra em público. Outros cristãos mais maduros podem ajudar os que têm menos experiência a acurar sua audição e discernimento espirituais, quando se desenvolve o ministério profético na igreja como todo.


                Estilos Ministeriais Não Convencionais


          Estilos não convencionais não invalidam necessariamente a mensagem de um profeta. Não ignore algo, simplesmente porque é incomum.
          Não havia nenhum precedente no Antigo Testamento para que Paulo enviasse seus lenços aos enfermos (At 19.12), ou para Jesus aplicar barro nos olhos de um cego. Jesus nos disse para julgarmos os frutos de um profeta, não sua metodologia – a menos, obviamente, que estes métodos violem claramente um texto ou princípio bíblico (Mt 7.15-20).
          Se as pessoas têm um histórico de profecias acuradas, você pode levá-la mais a sério, mesmo que sua metodologia pareça um pouco heterodoxa. Às vezes, sua “metodologia” nada mais é que seguir instruções do Espírito Santo. Levou um certo tempo para que cada membro de nossa equipe de profetas alcançasse credibilidade entre nós. Pessoas que não têm dons proféticos comprovados não parecem ter tanta latitude com outros cristãos para fazerem coisas não convencionais.


                            Processo de Correção


          Os pastores precisam tomar cuidado de não corrigir as pessoas abruptamente, especialmente em reuniões públicas. Devemos lidar com elas em amor; primeiramente, porque são importantes para Deus e, depois, porque se não as corrigirmos de maneira correta, os outros não sentirão confiança de avançar em fé e ministrar na igreja.
          Em nossa igreja, usamos uma série de passos corretivos. Se alguém profetiza algo que, no nosso discernimento, é carnal, deixamos passar a primeira vez, a menos que seja claramente antibíblico ou de natureza destrutiva. As pessoas precisam ter espaço para errar, sem o temor de que alguém os corrigirá tão rápido.
          Se o problema ocorre novamente, então conversamos com a pessoa com bastante jeito e sugerimos que use um pouco mais de autocontrole. Se acontecer pela terceira vez, pedimos em particular que não o faça mais, advertindo que da próxima vez a interromperemos publicamente. Se for repetido novamente, confrontamos a questão publicamente.
          Neste caso, explicamos publicamente todo o processo que usamos. Isto ajuda as pessoas a entender que a correção não foi abrupta e dura. Dizemos à congregação que esta pessoa foi instruída e advertida várias vezes. Os demais membros precisam estar seguros de que não serão publicamente repreendidos sem prévios avisos.
          A maioria das pessoas realmente quer abençoar a outros sob a ordem de Deus. Comunicar todo o processo publicamente evita que as pessoas tenham medo de avançar em fé e reforça o fato de que a liderança da igreja tratará diretamente com este tipo de situação.


                           O “Agora” do Espírito


          O ministério profético não pode ser um fim em si mesmo. Seu propósito é sempre reforçar e promover algo maior e mais valioso do que a si mesmo. Como já mencionei, um dos impactos significativos do ministério profético na Metro Christian, em Kansas City, foi o fortalecimento de nossa perseverança e do nosso compromisso com a intercessão por um avivamento na cidade e na nação.
          As pessoas se perdem quando se permitem estar mais focadas nos meios inusitados da mensagem do que no propósito de Deus, por meio daquela mensagem. Não importa se a mensagem vem de um profeta cinco estrelas, que tem confirmações do tipo “mover montanhas”, ou se é algo que simplesmente parece bom a todos os envolvidos. A mensagem é sempre mais importante que o método.
          Quando falo sobre nutrir e supervisionar o ministério profético na igreja local, o objetivo é sempre o que Deus quer realizar por meio do profético; não queremos simplesmente promover vasos proféticos. A experiência tem demonstrado que a própria essência do ministério profético é alertar a igreja para a importância do “agora” na ação do Espírito Santo. Ele nos desperta para a vontade e o propósito de Deus para nós no presente – o que Ele quer fazer especificamente em nós e através de nós.
          Este aspecto do presente é um complemento à outra dimensão de nossa fé e relacionamento com Deus, que está firmada para sempre – a obra de Jesus na cruz e as Escrituras. Enquanto os dons proféticos nos revelam a “palavra do agora” (como alguns dizem), os pastores e mestres fortalecem nossos alicerces na Palavra de Deus, firmada para sempre nos céus.
          Amo ambas estas dimensões. Amo doutrina e teologia, especialmente teologia sobre a beleza e a majestade dos atributos de Deus. Também anseio pela manifestação da presença e do propósito de Deus, revelados em nosso meio através daqueles que são mais dotados de dons proféticos. Quem pode estar satisfeito com uma religião estática, que funciona, quer Deus esteja ativamente presente, quer não esteja? O cristianismo genuíno é tanto é consistente na doutrina como vibrante na experiência.
          O lado subjetivo de nossa fé sempre deve ser minuciosamente analisado à luz do lado objetivo, mas ambos são essenciais. Deus sempre trabalha para unir a Palavra e o Espírito em nossas vidas. Alguém disse, certa vez: “Quando temos a Palavra sem o Espírito, secamo-nos. Quando temos o Espírito sem a Palavra, explodimo-nos. Mas quando temos a Palavra e o Espírito juntos, amadurecemo-nos.”
          Nosso desejo é por Deus e não apenas por conhecimento acerca dele. Tenho sede do vento fresco do Espírito, soprando em nossos corações e em nosso meio.
          Nutrir e supervisionar o ministério profético entre nós é apenas uma preocupação secundária – um meio para se atingir um fim. Minha real preocupação é nutrir e administrar o livre e fresco mover do Espírito Santo nas vidas de todos os membros da nossa igreja.
          O “problema”, como você já deve saber, é que não se pode prever, administrar ou controlar o mover do Espírito Santo. Não podemos impor nossos programas, nossas expectativas preconcebidas e nossas demandas sobre a soberania de Deus, que se manifesta através do Espírito Santo.


         Ofendido com o Derramamento do Espírito Santo


          As pessoas são escandalizadas de diversas maneiras pelo Senhor. Alguns se escandalizam até pela própria mensagem da cruz. Há aqueles que se ofendem pelo tipo de pessoa que Deus usa. Outros se ofendem com a maneira que o Espírito Santo age. Eu não estava preparado para manifestações inusitadas do Espírito, mas estava ainda menos preparado para as pessoas incomuns que Deus iria acrescentar à nossa equipe.
          Quando o poder do Espírito Santo é derramado, isto se dá, às vezes, de maneiras inesperadas; conseqüentemente, pode ser ridicularizado e rejeitado. No primeiro Grande Despertamento da América, como no dia de Pentecostes, várias coisas estranhas aconteceram.
          Em outubro de 1741, o reverendo Samuel Johnson, na época deão substituto da Universidade Yale, tinha reservas quanto ao avivamento que estava varrendo a Nova Inglaterra, liderado pelo pregador itinerante, George Whitefield. Ele escreveu uma carta ansiosa para um amigo na Inglaterra:

Este novo entusiasmo, resultado da pregação de Whitefield pelo país, está bem disseminado aqui na Universidade (Yale)... Muitos estudantes foram contaminados por ele, e dois dos candidatos deste ano tiveram seu diploma negado, por conta de seus esforços desordeiros e incansáveis para propagá-lo... Temos agora avançando aqui entre nós a mais estranha e inexplicável onda de entusiasmo, talvez de todas as épocas ou nações. Pois não apenas a mente de muitas pessoas fica impactada com tremenda angústia, ao ouvirem os medonhos gritos destes pregadores itinerantes, mas até mesmo seus corpos são freqüentemente afetados, de uma hora para outra, pelas mais estranhas convulsões, agitações e contrações involuntárias, que às vezes atingem até mesmo aqueles que vão como meros espectadores.¹

A esposa de Jonathan Edwards, Sarah, também foi profundamente afetada pelo poder e pela presença do Espírito Santo. Em suas próprias palavras, ela descreveu como foi tomada pela presença de Deus, num período de tempo que durou mais de dezessete dias, de tal forma que perdia todas suas forças e ficava prostrada. Em outras ocasiões, não conseguia se conter e pulava e gritava de alegria.²
Jonathan Edwards era um defensor do mover do Espírito, mas esta maneira extrema em que as pessoas eram afetadas foi demais para os conservadores líderes da Nova Inglaterra. Sua respeitabilidade foi ofendida, e passaram a condenar completamente o movimento, principalmente por causa do excessivo entusiasmo e das manifestações nada convencionais do poder do Espírito.
O doutor Sam Storms ingressou na nossa equipe em agosto de 1993, como Presidente de Grace Training Center (Centro de Treinamento Graça), nosso instituto bíblico de período integral em Kansas City. O Dr. Storms formou-se no Seminário Teológico de Dallas (no Texas) e obteve um Ph.D. em história intelectual, na Universidade do Texas em Dallas. Sam era um pouco cético acerca destes manifestações espontâneas e explosivas das pessoas, supostamente causadas pelo Espírito Santo.
Na Conferência das Igrejas Vineyard, em abril de 1994 em Dallas, seu ceticismo acabou. Sam estava no fundo do auditório quando o poder do Espírito Santo caiu sobre ele. Primeiro, começou a orar e a chorar, enquanto o Senhor ministrava às necessidades mais profundas de seu coração. Pouco depois disto, ele abruptamente pulou de sua cadeira e começou a rir histericamente, apesar de todos seus esforços desesperados para se controlar.
No final da conferência, ele ainda estava enfraquecido pela presença de Deus. Finalmente, suas forças retornaram e alguns de nós ajudaram Sam a se levantar para ir ao carro. Mas no estacionamento aconteceu novamente. Sam caiu repetidamente, correndo o risco de estragar suas roupas requintadas.
Vinte minutos depois, conseguimos levá-lo ao refeitório, onde o poder de Deus o atingiu novamente. Quando pensamos que já havia passado tudo, chegamos ao quarto do hotel e percebemos que Sam não estava entre nós. Ele ainda estava nas escadas, incapacitado pelo poder de Deus.
O fruto do encontro de Sam com o Espírito Santo foi uma fé renovada, uma reverência maior pelo poder de Deus e algo que o apóstolo Pedro descreveu como “alegria indizível e gloriosa” (1 Pe 1.8).


            Bem-aventurados São Aqueles Que Não Se                                             Escandalizam


          Em diversas ocasiões, tanto os fariseus quanto os discípulos não conseguiram compreender Jesus e, conseqüentemente, ambos ficaram ofendidos.
          Geralmente, pensamos nos fariseus como pessoas muito más. Na verdade, eram os conservadores intelectuais e defensores da fé, que tinham na ortodoxia sua arma contra a influência corruptora da cultura grega. Sua pedra de tropeço era o orgulho que tinham na integridade de suas interpretações da lei (tradição dos anciãos). Estavam contentes com sua ortodoxia, mas não tinham fome do próprio Deus.
          Os discípulos ficaram ofendidos também. Nos Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), podemos ver uma linha contínua de profunda incapacidade, por parte dos discípulos, de entender o que estava acontecendo.
          Aqueles que se escandalizaram e que se afastaram de Jesus, quando Ele disse “Eu sou o pão vivo que desceu do céu” (Jo 6.51a), não eram fariseus, mas seus discípulos (seguidores que não faziam parte do grupo dos doze). Apesar de ter ensinado com grande sabedoria e operado alguns milagres em sua própria cidade, seus amigos “ficavam escandalizados por causa dele” (Mt 13.57).
          A palavra grega mais usada no Novo Testamento para “escandalizar” é também traduzida como “tropeçar”. É a palavra skandalizo, de onde se deriva a palavra escândalo, em português. Deus até escandaliza ou ofende a mente de seu próprio povo. Ao ofender a mente das pessoas, Ele revela aquelas coisas no seu coração que os faz tropeçar. Jesus é revelado na Bíblia como o Caminho, a Verdade, o Pão da Vida e a Porta. Ele também é “uma pedra de tropeço, uma rocha que faz cair” (Is 8.14).
          O que mais vem à luz num coração escandalizado é a falta de fome por Deus e a falta de humildade. Ao olhos de Deus, estas são duas características muito importantes do coração.
          Nem o funcionamento do ministério profético neotestamentário, nem o ministério sobrenatural do Espírito Santo são ciências exatas. São áreas que desafiam nosso indevido senso de controle e nossos paradigmas religiosos. Foram designados por Deus exatamente para este propósito!
          Verdadeiro cristianismo é uma relação dinâmica com o Deus vivo e não pode ser reduzido a fórmulas e ortodoxia estéril. Nosso chamamento é para abraçar o mistério de Deus e não cobiçar uma conveniente e racional explicação para cada doutrina ou questionamento que encontramos. Nossa sede por uma relação pessoal com o próprio Deus deve ser muito mais forte do que este impulso interior de querer compreender perfeitamente cada fato.
          Nossa humildade diante de Deus deve nos ensinar que nunca teremos todas as respostas, ao menos não nesta era. Já não é muito fácil conviver conosco do jeito que as coisas são agora. Enquanto estivermos neste corpo carnal, acredito que possuirmos onisciência (todas as respostas) não nos tornaria melhores neste sentido.


                 Orgulho Religioso de Auto-suficiência


          Jesus trata diretamente com a raiz da auto-satisfação e do orgulho religioso:

Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida. Eu não aceito glória dos homens, mas conheço vocês. Sei que vocês não têm o amor de Deus (Jo 5.39-42).

Como vocês podem crer, se aceitam glória uns dos outros, mas não procuram a glória que vem do Deus único? (v. 44).

Estes judeus religiosos foram enganados ao achar que seu conhecimento das Escrituras e sua associação com a comunidade religiosa eram equivalentes ao conhecimento de Deus. Entretanto, na verdade, recusavam-se teimosamente a ter um relacionamento pessoal com Deus através de seu representante pessoal, Jesus. Orgulhavam-se de seu conhecimento das Escrituras, enquanto rejeitavam o autor das Escrituras.
Quando o Senhor estava começando a desafiar Michael Sullivant a caminhar dentro do seu chamado profético, ele teve um dramático sonho espiritual que tocou nestas áreas do seu coração. O Senhor lhe apareceu, olhou-o nos olhos e disse: “Você está esperando para me obedecer, até que tenha planos compreensíveis. Quero que me obedeça sem ter planos compreensíveis.”
Enquanto Michael estava ajoelhado diante de Jesus, um pilha de transparências saiu de sua barriga e foi parar em suas mãos. Ele entendeu que estas transparências representavam seus próprios planos, que o Senhor via claramente. Michael se sentiu envergonhado e profundamente triste; inclinou sua cabeça e começou a chorar e a se arrepender. Dizia: “Senhor, não quero desobedecer-lhe.”
Depois disso, ele olhou para o Senhor em meio às suas lágrimas, e Jesus estava sorrindo para ele.
Para entregar sua vida a este chamado, Michael teve que passar por alguns tratamentos de Deus bem severos, em relação ao seu intelectualismo e auto-confiança em seu ministério e estilo de relacionar-se com pessoas. Estes tratamentos incluíram repreensões em particular e até mesmo um grau de humilhação pública para ajudá-lo a humilhar-se perante o Senhor.
Há alguns anos, quando Michael era o pastor líder na Metro Vineyard Fellowship, o Senhor retirou sua unção de pregação pastoral e ensino por um tempo. Esta mudança ficou óbvia para quase todos na igreja e levou-o a uma mudança de função, em que não precisava pregar tão freqüentemente.
Poucos dias depois disso, Paul Cain, que não sabia nada do que estava acontecendo, profetizou publicamente a Michael e sua esposa, Terri, que a intenção de Deus era “mudar sua vocação” e guiá-lo por um caminho profético. Ele os assegurou que as mudanças que haviam ocorrido não eram um rebaixamento, mas um plano designado para trazer maior glória a Deus através de suas vidas.
Todos nós devemos aceitar de bom grado qualquer coisa que for necessária para estabelecer e experimentar uma relação mais íntima com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus coloca diante de nós algumas pedras de tropeço estratégicas, no evangelho e no nosso caminhar com o Espírito, a fim de testar nosso coração. Se estivermos sedentos por Deus e humildes de coração, estas pedras de tropeço, na verdade, se tornam pedras de apoio que nos ajudam a caminhar em direção aos seus propósitos para as nossas vidas.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Trechos do livro Quando o céu invade a terra de Bill Johnson


Uma Figura do Antigo Testamento

Israel deixou o Egito quando o sangue de um cordeiro foi derramado e aplicado nos umbrais de cada uma de suas casas. Do mesmo modo, fomos libertos do pecado quando o sangue de Jesus foi aplicado em nossas vidas. Os israelitas logo chegaram ao Mar Vermelho. A passagem deles em meio aquela massa de água foi interpretada como sendo o batismo de Moisés. Semelhantemente, passamos pelas águas do batismo depois da nossa conversão. Quando os judeus finalmente entraram na terra prometida, eles atravessaram um rio: um outro batismo.

Este segundo batismo não representa a libertação do pecado. Isso foi representado quando eles saíram do Egito. Este novo batismo os levariam a um novo modo de vida. Por exemplo, eles fizeram guerras antes de atravessarem o rio, e as venceram. Mas depois que passaram pelo rio Jordão, suas guerras seriam travadas de modo diferente. Agora eles poderiam andar em torno de uma cidade em silencio por alguns dias e, por fim, ao fazerem um clamor com gritos veriam os muros ruir. Posteriormente os israelitas tiveram a experiência do desafio que foi enviarem primeiro um coro, antes da batalha. E também um dia Deus propositadamente dispensou mais de trinta mil soldados, mandando-os voltar para casa, para que Ele pudesse lutar a guerra com apenas trezentos tocadores de trombeta portando tochas de fogo.

O Senhor faz da Terra Prometida uma realidade, e nós pagamos o preço para nela viver. Ele nos dará o Seu batismo de fogo se Lhe dermos algo que valha a pena ser queimado.
O batismo do Espírito Santo é o cumprimento na figura do Antigo Testamento referente à entrada na Terra Prometida. Suponhamos que os filhos de Israel tivessem decidido atravessar o Jordão, mas se satisfizessem em permanecer às margens daquele rio. Eles teriam, antes de mais nada, perdido o objetivo daquela travessia. Havia nações para destruir e cidades para tomar posse. A satisfação fora dos propósitos de Deus significaria para eles que teriam que aprender a conviver com seus inimigos. É exatamente isso que acontece quando o crente é batizado no Espírito Santo, mas nunca vai além de falar em línguas. Quando nos satisfazemos fora do propósito final de Deus, que é estabelecer o seu domínio, aprendemos a tolerar o inimigo em alguma área da nossa vida. Por mais glorioso que o dom de línguas seja, ele é apenas uma porta de entrada para uma vida de poder. Esse poder nos foi dado para despojarmos as fortalezas do inferno e delas tomarmos posse, para a glória de Deus.

O valor da Presença do Espírito

Bem mais do que qualquer outra coisa, é o próprio Espírito Santo o maior dom que recebemos. Aqueles que descobrem o valor da Sua presença entram em esferas de intimidade com Deus nunca antes consideradas possíveis. A partir desse relacionamento vital surge um ministério de poder que anteriormente era apenas um sonho. O que é incompreensível torna-se possível porque Ele está conosco.
Eu serei contigo é a promessa feita por Deus a cada um de seus servos. Moisés ouviu isto quando aceitou o desafio de libertar Israel do Egito. Josué recebeu esta promessa quando liderou a entrada de Israel na Terra Prometida. Quando Gideão recebeu o chamado de Deus para ser libertador de Israel, Deus selou Sua palavra com a mesma promessa. No Novo Testamento, esta promessa veio a todos os crentes através da Grande Comissão. Ela torna-se vital quando Deus nos pede para fazer algo que humanamente é impossível. É importante vermos isso. É a presença de Deus que estabelece a ponte entre nós e o que é impossível. Costumo dizer ao meu pessoal: “Ele está em mim para o meu bem, mas Ele está sobre mim para bem de vocês.” Sua presença torna tudo possível! Deus não precisa fazer experiências para realizar algo sobrenatural. Ele é sobrenatural. Ele teria que fazê-las para não o ser. Se Ele é convidado para uma situação, não devemos esperar nada menos que uma invasão sobrenatural


O avivamento é o ambiente em que o poder de Cristo tem maior possibilidade de se manifestar. Esse poder toca em todas as partes da vida humana, penetrando com muita força na sociedade com centelhas de uma revolução. Esta glória tem um custo, e não é para ser desprezado. Não obstante, uma igreja sem poder tem um custo bem maior em termos de sofrimento humano e perdas de almas. Durante um avivamento, o inferno é saqueado e o céu é povoado. Sem avivamento, o inferno é povoado – e ponto final.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Pastor Youcef Nadarkhani: carta a cristãos do mundo inteiro

Pastor Youcef Nadarkhani corre o risco de ser executado por apostasia no Irã. Ele escreveu esta carta na prisão em janeiro de 2011, poucos meses depois de receber o veredicto por escrito confirmando sua sentença de morte. O pastor permanece preso em Rasht, sob a ameaça de uma execução que pode acontecer a qualquer momento

Leia abaixo as palavras de perseverança do pastor e lembre-se de interceder por ele.

"Graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo”.

Portanto, tambem nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos foi proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Hebreus 12:1-2.

Quando alguém compreende a revelação da verdade, essa pessoa estará disposto a compartilhá-la com outras pessoas e com as gerações futuras. Somos gratos às pessoas que, no passado, lutaram pela Verdade, que nos permitem ter acesso a esta gloriosa revelação de Jesus Cristo. Esses crentes entenderam a riqueza e a beleza da revelação, e estavam prontos para lutar a fim de passar adiante o fruto da revelação.

Como podemos dar frutos semelhantes para a vida eterna? Depende esolhas que fizermos. Primeiro temos que fechar os ouvidos para a voz das trevas, como está escrito no salmo primeiro: Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Salmo 1:1.

A segunda coisa é abrir os nossos ouvidos à voz do Espírito falando através da Palavra de Deus, como está escrito: Mas o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Salmo 1:2.

O fruto da A comunhão com o Senhor através da Sua Palavra Vivificante é o que garante a estabilidade nesta vida e impacta a vida de outros gerando frutos eternos, como dizem as Escrituras: E ele será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. Salmo 01:03.

"Um passo de fé"

Muitas pessoas admiram Jesus como um modelo único a ser seguido por gerações, muitos gostariam de imitá-lo. Jesus não veio para ser apenas admirado, mas nos trouxe um modelo perfeito a ser seguido. Se queremos ser como Ele, precisamos dar um passo de fé, como Pedro. Quando Pedro viu o seu Senhor andando sobre o mar furioso, ele pediu para ir ao encontro de Jesus sobre as águas. Então Jesus disse: "Vem!".

Todos quanto escolheram seguir o Senhor, de alguma forma ouviram antes uma ordem D’ele, dizendo: "Vem!" Uma ordem que implica um passo de fé. Como é evidente nas Escrituras, aquilo que somos capazes de ver não é fé. A fé é bíblicamente definida como: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem."

Temos que dar um passo de fé "apesar das dificuldades" ", a fim de experimentar o poder de Deus. Mas precisamos lembrar que tudo deve ser feito de acordo com a Palavra de Deus. Pedro não experimentou a possibilidade de andar sobre as águas porque ele simplesmente decidiu abandonar o barco, mas por causa da Palavra, da Ordem do Senhor. A Palavra de Deus nos diz que "deveremos passar por dificuldades" e desonra por causa do Seu Nome. A nossa fé não será genuina se ignorarmos estas palavras, se não manifestarmos a paciência do Senhor em nossos sofrimentos. Qualquer um que ignora-las será envergonhado naquele dia.

É bom lembrar que muitas vezes o passo de fé nos coloca diante de algumas dificuldades. Assim como a Palavra levou os filhos de Israel a sair do Egito e os colocou diante de um obstaculo chamado Mar Vermelho. Essas dificuldade se colocam entre as promessas de Deus e cumprimento delas e servem para desafiar e fortalecer a nossa fé. Os crentes devem aceitar esses desafios como uma parte de sua caminhada espiritual. O Filho foi desafiado no Calvário, no caminho mais difícil, como está escrito nas Escrituras: "Durante os dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão; Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu ". Hebreus 5:7-8.

O clamor "Eli, Eli, lamá sabactâni?" É suficiente para expressar os sofrimentos de nosso Senhor no Calvário. Por trás desse pedido de socorro, podemos identificar a grande fé que o levou a aceitar a vontade do Pai. Sim, Ele sabia que Deus não permitiria que "seu Santo sofresse decomposição”, e que, em três dias, ele ressuscitaria dentre os mortos. Além do poder da morte, o Senhor enxergou o poder da ressurreição vitoriosa.

Eu não preciso escrever mais nada sobre a base da fé. Lembremo-nos que indenpendente de momentos bons ou ruins, apenas três coisas permanecem: a Fé, a Esperança e o Amor. É importante para os cristãos se certificarem que tipo de fé, esperança e amor permanecerão. Somente o que recebemos de acordo com a Palavra permanecerá para sempre. Eu quero encoraja-lo a viver de forma digna do chamado da Santa Palavra. Permitam irmãos, vocês que são herdeiros da glória de Cristo, serem exemplos para outros, a fim de ser um testemunho do poder de Cristo para o mundo.

Peço-lhes que vivam segundo a Palavra de Deus, a fim de rejeitar as ações das trevas que geram dúvidas em seus corações. A verdadeira vitória que elimina as dúvidas, vem pelo ouvir a Palavra de Deus com fé.

Somente uma igreja baseada nos ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo subexistirá, longe do auxilio e da proteção da Palavra de Deus o devorador o destrurá.

Vamos dar um Testemunho Santo. "

Seu irmão em Cristo,

Youcef Nadarkhani


Fonte 
http://www.portasabertas.org.br

quinta-feira, 8 de março de 2012

Cuidado com o sistema GOSPEL.

Eu tenho visto ultimamente como esse movimento gospel tem calado o verdadeiro evangelho, como as gravadoras tem corrompido nossos levitas com fama e dinheiro. Nós fomos chamados para adorar ao Pai em espírito e em verdade, isso não vem de nós e sim Dele, pois é Dele que tudo diz respeito. Quando algum servo de DEUS fica em evidência é para brilhar para os que estão em trevas e não para ficar em palcos com gelo seco e luzes animando pessoas. Não se engane o gospel não é o evangelho, pois:

No evangelho o menor é o maior, o servo é o senhor. No gospel eles fazem troféu promessa.

No evangelho diz que não há semelhança entre o santo e o profano, que não há comunhão entre luz e trevas. No gospel os artistas vão às emissoras de satanás em programas de auditórios dizendo que estão pregando o evangelho. Existem apenas duas reações do mundo para o evangelho genuíno: as pessoas são transformadas e mudam de vida ou elas te expulsam, te perseguem e te criticam.

No evangelho há unção, no gospel há emoção.

No evangelho há renuncia, mortificação da carne. Eu nunca vi na palavra algum ministro cobrar para fazer a boa obra, pelo contrário, eu ouvi dizer: ‘o que de graça recebi de graça vos entrego’. No gospel eu vejo grandes cachês, vejo ministros serem tratados como Vips, e o pior é que eles se comportam como tal.

No evangelho eles tinham tudo em comum, no gospel uns tem casas de milhões e outros moram de favor.

No evangelho há adoração. No gospel vejo slogans: “O SHOW GOSPEL MAIS ESPERADO DO ANO”.

Existe uma larga diferença entre o evangelho e essa poluição gospel. O movimento gospel é a ferramenta que o diabo está usando para plantar o consumismo dentro da igreja. De onde vem esse sistema gospel? Isso não é bíblico, é babilônia. Irmão a mídia pegou o nome de nosso Senhor Jesus Cristo e associou a um movimento do diabo e nomeou como gospel para vender, mas é nítido que o gospel não é nem a sombra do evangelho de Cristo. O gospel está matando a igreja de dentro para fora. Lance fora todo esse padrão do inferno que o gospel te impôs e comece a buscar ser parecido como CRISTO, Ele é o padrão, Ele é o ícone, SEU NOME É YESHUA HAMASHIA. Não estou escrevendo para criticar, estou escrevendo para que vocês vejam o lixo que nós temos tragado para dentro do corpo de Cristo.

Eu termino essa palavra deixando um alerta para a igreja.

Esse ano DEUS vai fazer coisas poderosas referentes ao manifestar o reino, porém antes vem o juízo e o seu juízo sempre começa pela sua casa. Eu testemunho isso, pois no começo desse ano fomos a uma igreja ministrar e ali fomos literalmente expulsos da igreja em meio ao culto. Isso não são prazer nem glória, isso foi motivo de choro por nós, pois somos UM. Portanto o que falo é algo urgente, não há tempo para pensar, o mar se abriu e já está se fechando.

Fiquem na PAZ.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A vingança do amor.

Meu nome é Dabousu. Nasci na França e durante a Segunda Guerra Mundial defendi minha Pátria nos campos de batalha.

No ano de 1944 fui feito prisioneiro pela Gestapo (polícia alemã) e fui condenado à morte. Considerando que era casado e tinha quatro filhos, não me mataram, mas fui levado a um campo de concentração e condenado à cadeia perpétua.

Depois de nove meses, pesava somente 40 quilos. Meu corpo estava coberto de chagas. Quebrei o braço direito, e, devido á falta de recursos médicos, o osso se soldou fora do lugar.

No da 24 de dezembro meus pensamentos estavam, mais do que nos outros dias, voltados para minha família. Eu estava no meio da depravação e da sujeira e, em contraste, imaginava como estariam minha esposa e filhos. Mergulhado nestes pensamentos, um policial entrou no pavilhão onde eu e os presos dormíamos. Gritou meu nome. Apresentei-me a ele e me deu ordem para segui-lo. Levou-me à casa do comandante. Guiou-me até a sala de jantar onde o comandante estava assentado perante uma mesa preparada como se fosse o banquete de um rei. Que visão maravilhosa para os meus olhos famintos! No entanto, não me ofereceu sequer as migalhas.

Deixou-me parado, fitando-o, enquanto se regalava com as várias iguarias que estavam sobre a mesa. Assim passou o tempo; ele comendo e eu olhando-o.

Certamente, o comandante sabia que eu era um cristão no Senhor Jesus Cristo e escolheu esta maneira de torturar-me. Deve ter chegado a ele a notícia de que eu falava de meu Salvador a meus companheiros. Satanás tentou-me de maneira terrível. Soavam em minha mente estas palavras: "Como é, Dabousu, continuas crendo no Salmo 23? Nele não está escrito: "O Senhor é meu Pastor, NADA ME FALTARÁ?". Naquele momento orei fervorosamente ao Senhor, ao mesmo tempo que dizia para comigo mesmo: Sim, continuo crendo no Salmo 23. Continuo crendo na Palavra de Deus".

Naquele preciso momento, um rapaz chegou trazendo uma bandeja com uma xícara de café e vários pastéis. Os pastéis pareciam bem saborosos e o comandante comia-os com muita satisfação. Voltou-se para mim e me disse: "Sr. Dabousu, sua senhora é uma excelente cozinheira. Dou-lhe os meus parabéns por seu trabalho".

Quando o comandante percebeu que eu não o entendia foi mais explícito: "Há sete meses que sua esposa está enviando-lhe periodicamente um pacote com biscoitos, pastéis, tortas e todas estas coisas que está vendo sobre a mesa. Tenho apreciado muito a comida de sua esposa".

Agora eu estava entendendo o que ele quis dizer-me. Pensei em minha querida esposa e nas crianças. Do pouco que certamente teriam para comer, abstinham-se do melhor para que eu tivesse alguma coisa para comer. E ali estava um homem enchendo seu estômago com ricos manjares à custa de minha querida família.

Mais uma vez, o diabo veio tentar-me. A voz do tentador soava em minha mente: "Odeie-o, Dabousu, aborreça-o, maldiga-o, grite, bata nele..." Eu orei fervorosamente e Deus me ajudou. Nenhum sentimento de ódio encheu meu coração, porém, eu ansiava que ele me convidasse para comer. Mesmo que não me desse nada para comer, que pelo menos deixasse pegar naqueles alimentos feitos carinhosamente pelas mãos de minha esposa. Mas o comandante egoísta e glutão comeu tudo e depois me dirigiu palavras grosseiras. Finalmente, disse-lhe: "Senhor comandante, embora o Sr. tenha tantas coisas, na realidade é pobre. Quanto a mim, sou rico, pois sou salvo pelo sangue precioso do Senhor Jesus Cristo".

Após ouvir meu testemunho, seu furor acendeu-se contra mim de tal maneira que suas palavras passaram a cair sobre mim como uma cachoeira. Mandou-me de volta para o pavilhão, junto com meus companheiros.

Quando terminou a guerra fui libertado junto com os outros prisioneiros. Daquele dia em diante me propus a descobrir o paradeiro do comandante. A maior parte dos comandantes dos campos de concentração foram mortos. Este, porém, tinha escapado usando um disfarce. Durante mais de dez anos o procurei, até que por fim consegui descobrir seu paradeiro. Fui visitá-lo, acompanhado de um pregador do Evangelho. Inicialmente, fingiu não me reconhecer.

"Eu era o número 175 no registro do campo de concentração", disse-lhe eu. "O Sr. não se lembra do dia 24 de dezembro de 1944?"

Como uma folha estremecida pelo vento, o homem começou a tremer. Sua esposa, que estava a seu lado, ficou cheia de pânico. "Veio para vingar-se?", disse-me ela com voz temerosa e fraca. Eu respondi: "Sim, vim para vingar-me". Olhou-me atemorizada.

Abaixei-me para pegar um pacote que eu tinha trazido, abri-o e apareceu uma magnífica torta feita por minha esposa. Pedi à Sra. do comandante que nos preparasse um café. Quando ficou pronto, os quatro nos assentamos à mesa.

Enquanto comíamos, os olhos do antigo comandante se encheram de lágrimas. Implorou-me que o perdoas-se. Respondi-lhe: "Ali mesmo, enquanto o Sr. me perseguia, eu o perdoei em nome do Senhor Jesus Cristo".

Um ano mais tarde, o antigo comandante juntamente com sua esposa aceitaram o Senhor Jesus como seu Salvador. Continuaram na fé e deram evidências de que tinham nascido de novo. Guiados pelo Espírito Santo, eles entenderam o amor de Deus, derramado em nosso coração. Este mesmo amor nos ajuda a obedecer as palavras do Senhor Jesus Cristo. "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos de vosso Pai celeste (Mateus 5.44-45)"

Fonte: Revista Plenitude nº 21 – Agosto/1984

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O avivamento dos Morávios -


PREFÁCIO

Este artigo sobre o avivamento morávio foi preparado e traduzido a partir de vários artigos de uma revista americana denominada "Herald of His Coming" (O Arauto da Sua Vinda). Deus tem prometido na Sua Palavra um derramamento do Seu Espírito nos últimos dias, e a preparação de uma igreja gloriosa para a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo. Ultimamente, Deus tem prometido através dos Seus profetas um avivamento para a terra do Brasil, e está convocando o Seu povo à oração intensiva para esse fim. Que esses relatos de avivamentos passados em outros países possam transmitir aos intercessores nas igrejas brasileiras uma visão mais clara e um peso mais profundo daquilo que Deus tem prometido realizar na nossa terra hoje, em resposta à oração perseverante.

ORAÇÃO TRAZ AVIVAMENTO

Se você ler a história de qualquer grande, obra do Espírito Santo encontrará ai uma história de oração. Oração, no Espírito, foi o segredo de todos os grandes avivamentos no passado -- e será o segredo de todo o poder de avivamento que vier sobre nós nestes dias.

Aproximadamente há 250 anos um grupo de discípulos rixentos, contenciosos, discutidores e opiniosos, seguidores de Huss, Lutero, Calvino e outros reformadores, fugindo das perseguições mortíferas daquela época, achou asilo em Herrnhut, no patrimônio de um fidalgo abastado, o Conde Zinzendorf, situado na Alemanha Oriental. Este grupo tornar-se-ia conhecido como os "morávios" em consequência do fato de uma parte deles ter saído da província de Morávia, na Checoslováquia.

Embora fossem protegidos ali do mundo exterior, quem haveria de protegê-los das suas próprias paixões religiosas que ameaçavam destruí-los? Como poderiam se unir em fé e amor esses cristãos contenciosos que acabavam de achar um esconderijo no patrimônio do Conde Zinzendorf? Aparentemente era uma tarefa completamente impossível.

Contudo, oraram: No dia 5 de agosto de 1727, alguns desses irmãos passaram a noite toda em oração. A oração os levou a elaborar uma Aliança Fraternal a fim de "procurar e enfatizar os pontos em que concordassem" e não salientar as suas diferenças.

O amor fraternal e a unidade em Cristo seriam as correntes douradas que os ligariam uns aos outros. Todos os membros da comunidade apertaram as mãos uns dos outros e se comprometeram a obedecer os estatutos da Aliança. Aquele dia foi o princípio de uma nova vida para eles.

No diário deles está escrito:

Neste dia o Conde fez uma aliança com o Senhor. Os irmãos prometeram, um por um, que seriam verdadeiros seguidores do Salvador. Vontade própria, amor próprio, desobediência -- eles se despediram de tudo isso. Procurariam ser pobres de espírito; ninguém deveria buscar seu próprio interesse; cada um se entregaria para ser ensinado pelo Espírito Santo. Pela operação poderosa da graça de Deus, todos foram não somente convencidos, mas arrastados e dominados.

Depois de adotarem os estatutos e todos terem se comprometido à uma vida de obediência e amor, o Espírito de comunhão e oração foi grandemente fortalecido. Desentendimentos, preconceitos, alienações secretas, eram confessados e postos de lado. A oração muitas vezes tinha tanto poder que aqueles que haviam apenas confessado sua disposição ou aderido da boca para fora eram convencidos do pecado e compelidos interiormente a mudar de vida ou a irem embora.

No domingo, 13 de agosto de 1727, mais ou menos ao meio-dia, numa reunião onde se celebrava a ceia do Senhor, o poder e a bênção de Deus vieram de forma tão poderosa sobre o grupo inteiro que tanto o pastor como o povo caíram juntos no pó diante de Deus e "nesse estado de mente continuaram até a meia-noite, tomados em oração e cântico, choro e súplicas".

O Senhor Jesus lhes apareceu como Cordeiro... levado ao matadouro; traspassado pelas suas transgressões e moído pelas suas iniqüidades (Is 53:7,5). Na presença divina do seu ensangüentado e expirante Senhor, eles se sentiam inundados na consciência do seu pecado e da graça do Senhor ainda mais abundante. Suas controvérsias e rixas foram silenciadas; suas paixões e orgulho foram crucificados -- enquanto fitavam atentamente as agonias do seu "Deus expirante".
A oração os uniu. A oração trouxe-lhes um novo derramamento do Espírito Santo; agora veremos como estas bênçãos, por sua vez, levavam-nos a uma vida mais profunda de oração:

Depois daquele dia destacado de bênção, o dia 13 de agosto de 1727, em que o Espírito de graça e súplicas havia sido derramado sobre a congregaçao em Herrnhut, surgiu o pensamento em alguns irmãos e irmãs de que seria bom separar horas determinadas para o propósito de oração, tempos em que todos pudessem ser relembrados do seu grande valor e incitados pelas promessas que acompanham a oração fervorosa a derramar os seus corações diante do Senhor.

Além disso, consideraram importante que, assim como nos dias da Velha Aliança nunca se permitiu que o fogo sagrado se apagasse no altar (Lv 6:12, 13), da mesma forma numa congregação que é o templo do Deus vivo, na qual Ele tem Seu altar e Seu fogo, a intercessão dos Seus santos deverá subir incessantemente a Ele como um incenso santo (1 Co 3:16; 1 Ts 5:17; Sl 141:2; Lc 18:7; Ap 8:3,4).

No dia 26 de agosto, vinte e quatro irmãos e o mesmo número de irmãs se reuniram e fizeram entre si uma aliança de continuar em oração a partir da meia-noite até na outra meia-noite, para isto repartindo as vinte e quatro horas do dia por sorte entre eles.

No dia 27 de agosto, este novo regulamento entrou em vigor. Outros foram acrescentados a esse número de intercessores, passando a contar com 77 pessoas, e até mesmo as crianças iniciaram um plano semelhante a esse entre elas. Os intercessores tinham uma reunião semanal na qual se lhes fazia uma lista daquelas coisas que deveriam considerar como assuntos especiais para a oração e para levar constantemente diante do Senhor.

As crianças todas sentiam um impulso sobremodo forte para a oração, e era impossível ouvir suas súplicas infantis sem ser profundamente comovido e tocado: Uma testemunha ocular diz:

Não posso explicar a causa do grande despertamento das crianças em Herrnhut de outra maneira que não seja um maravilhoso derramamento do Espírito de Deus sobre a congregação reunida naquela ocasião. O sopro do Espírito atingia naquele tempo jovens e velhos igualmente.

INCENTIVO PARA EVANGELIZAÇÃO

Os quatro anos seguintes foram tempos de avivamento constante: A vigilância cuidadosa mantida pelos presbíteros e superintendentes, o tratamento fiel de almas individuais de acordo com suas necessidades pessoais, a manutenção zelosa do Espírito de amor fraternal, a contínua vigilância em oração, fizeram das reuniões dos irmãos tempos de grande alegria e benção. Eram tempos de preparação para a obra de evangelização mundial que estava para iniciar.

O bispo Hasse escreveu o seguinte:

Houve já em toda a história da igreja alguma reunião de oração tão extraordinária como esta que, começando em 1727, continuou vinte e quatro horas por dia, durante cem anos?

Oração deste calibre leva à ação. Neste caso, acendeu um desejo ardente de tornar a salvação de Cristo conhecida aos pagãos. Produziu o início do movimento missionário atual. Daquela pequena comunidade rural mais de cem missionários foram enviados num período de vinte e cinco anos.

Este era o fruto de oração e união de coração sem precedentes. Não era de se admirar os resultados espirituais sem precedentes também que sucederam. Daquela pequena aldeia de cristãos morávios saíram missionários a todo canto do mundo, levando consigo o fogo do Espírito.

Qual era seu incentivo para o trabalho missionário no exterior? Embora sempre reconhecessem a autoridade suprema da Grande Comissão (Mt 28:19), os irmãos morávios sempre enfatizaram como seu maior incentivo a verdade inspiradora encontrada em Isaías 53:3-12; fazendo assim do sofrimento do Senhor o impulso e fonte de toda a sua atividade. Desta profecia tiraram seu "brado da guerra'' missionário: “Conquistar para o Cordeiro que foi morto a recompensa dos Seus sofrimentos."

Eles sentiam que deviam compensar o Senhor de alguma maneira pelos terríveis sofrimentos que suportou quando efetuou a salvação deles. A única maneira de retribuí-Lo é trazer-lhe almas. Qurando trazemos-Lhe as almas perdidas, é a recompensa ou fruto do penoso trabalho da sua alma (Is 3:11). 


CONVERSÃO DE JOHN WESLEY

Em 1736, um grupo de morávios estava viajando num navio com destino à América. Dois jovens ingleses, missionários anglicanos, estavam no mesmo navio. Sobreveio sob­re eles um terrível temporal e era iminente um naufrágio. Leiamos o que um dos jovens, John Wesley escreveu no seu diário a respeito desse acontecimento:

Às sete horas fui procurar os morávios. Eu havia observado há muito a profunda seriedade do seu comportamento. Davam provas incessantes da sua verdadeira humildade em fazer aquelas tarefas servis para os demais passageiros que nenhum de nós suportaria; eles procuravam nos servir dessa forma e rejeitavam qualquer remuneração, dizendo que era bom para os seus corações orgulhosos e que o seu querido Salvador havia feito muito mais que isso por eles.

Cada dia que passava lhes dava oportunidade de demonstrar uma meiguice que nenhuma injúria poderia desafiar. Se alguém os empurrasse, batesse ou jogasse no chão, eles se levantavam e saíam; mas nunca se ouviu qualquer queixa ou resposta nas suas bocas. Agora se apresentaria uma oportunidade de ver se eles eram isentos do espírito de medo da mesma forma que o eram do espírito de orgulho, ira e vingança.

No meio do salmo com que iniciaram a sua reunião, o mar se ergueu, despedaçou a vela mestra, inundou o navio e as águas vieram jorrando sobre o convés como se um grande abismo estivesse nos engolindo. Irromperam-se terríveis gritos e uivos entre nós. Os morávios, porém continuavam a cantar tranqüilamente.

Perguntei para um deles depois: "Você não estava com medo? Ele respondeu: “Graças a Deus, não.” Perguntei ainda: "Mas não estavam amedrontadas as mulheres e crianças?" Ele respondeu brandamente: "Não, nossas mulheres e crianças não têm medo da morte."
Quando ele voltou à Inglaterra, escreveu:

Eu fui à América para converter os índios; mas quem há de me converter? Quem é que me libertará deste coração mau de incredulidade? Tenho uma religião "de tempo bom". Sei falar bem; sim, e tenho confiança em mim mesmo quando não há perigo ao meu lado; mas venha a morte me enfrentar e meu espírito já se perturba. Nem posso dizer: "O morrer é lucro!"

Em Londres, Wesley procurou o conselho de um missionário morávio, Peter Bohler, e logo após, converteu-se. Em menos de três semanas, ele estava viajando para a Alemanha para conhecer o Conde Zinzendorf e passar um período de tempo em Herrnhut.

A VIDA DO CONDE ZINZENDORF

O Conde Zinzendorf, preparado tão maravilhosamente por Deus para treinar e guiar a jovem igreja no caminho missionário, era marcado acima de tudo por um tenro, simples e apaixonado amor para o nosso Senhor Jesus. Convertido com a idade de quatro anos, ele escreveu naquela época: " Querido Salvador, sê meu e eu serei Teu". Ele escolheu como o lema da sua vida:"Tenho apenas uma paixão. É Jesus, Jesus somente".

O amor expirante do Cordeiro de Deus havia conquistado e enchido o seu coração; o amor que levou Jesus a morrer pelos pecadores havia entrado na sua vida. Ele não tinha outro alvo a não ser viver e, se preciso, morrer também por esses pecadores.

Quando ele se encarregou de cuidar dos morávios, aquele amor foi o único motivo ao qual ele recorria, o único poder no qual ele confiava, o único alvo para o qual ele procurava conquistar as suas vidas. 0 que o ensinamento, argumentos e disciplina nunca alcançariam, necessários e produtivos como fossem, o amor de Cristo realizou! Fundiu todos em um só Corpo; implantou em todos o desejo de abandonar tudo que fosse pecado Inspirou a todos com o anseio de testificar de Jesus. Dispôs muitos a sacrificar tudo -- a fim de tornar aquele amor conhecido a outros, alegrando dessa forma o coração de Jesus.

O Conde Zinzendorf aprendera cedo o segredo da oração eficaz. Ele foi tão diligente em estabelecer círculos de oração que quando deixou o colégio de Halle, aos dezesseis anos de idade, entregou ao professor Francke uma lista de sete grupos de oração.


CARACTERÍSTICAS DOS MORÁVIOS

E os seguidores que Deus havia dado a Zinzendorf ? O que havia neles que os capacitava a tomarem a liderança das igrejas da Reforma ? Em primeiro lugar, havia aquele desprendimento e desligamento do mundo e das suas esperanças, o poder de perseverança e resistência, a confiança simples em Deus que a aflição e perseguição são destinadas a produzir. Esses homens eram literalmente estrangeiros e peregrinos na terra. Eram imbuídos do pensamento e Espírito de sacrifício. Haviam aprendido a suportar dureza e dificuldades e a olhar para Deus em cada problema.

Em cada detalhe das suas vidas -- no negócio, no lazer, no serviço cristão, nos deveres civis -- tomavam o Sermão da Montanha como lâmpada para os seus pés. Consideravam o servir a Deus como o único motivo da vida e faziam todas as demais coisas ocuparem um plano de segunda importância. Seus ministros e presbíteros deveriam supervisionar o rebanho rara averiguar se todos estavam realmente vivendo para a glória de Deus. Todos deveriam formar uma única irmandade, auxiliando e encorajando-se mutuamente numa vida sossegada e piedosa.

No entanto havia algo mais que isso que emprestava à comunhão desses irmãos seu poder tão maravilhoso. Era a intensidade da sua devoção e dedicação coletiva e individual a Jesus Cristo, como Cordeiro de Deus que os comprara com o Seu sangue.

Toda a sua correção uns dos outros e a sua confissão voluntária do pecado com o abandono do mesmo, vieram dessa fé no Cristo vivo, através do qual acharam no seu coração a paz de Deus e a libertação do poder do pecado.

Essa mesma fé os levava a aceitar, e a zelosamente guardar, sua posição de pobres pecadores, salvos pela Sua graça, dia a dia. Essa fé, cultivada e fortalecida diariamente pela comunhão na palavra, no cântico e na oração, transformou-se no alvo das suas vidas. Essa fé os enchia com tanto gozo que seus corações regozijavam no meio das maiores dificuldades, na certeza triunfante de que seu Jesus, o Cordeiro que morrera por eles, e que agora estava amando-os, salvando-os e guardando-os, minuto por minuto, poderia também conquistar o coração mais endurecido e estava disposto a abençoar até mesmo o mais vir pecador.

Em 1741 ocorreu algo que completou a organização da Igreja dos Irmãos e que selou a sua característica central -- a devoção ao Senhor Jesus. Leonardo Dober havia sido por alguns anos o principal presbítero da igreja. Ele e alguns outros sentiam que seus dons peculiares o capacitavam mais para outro tipo de ministério.

No entanto, à medida que os irmãos do sínodo olhavam em redor, sentiam que seria difícil em extremo encontrar uma pessoa capaz de tomar o seu lugar. No mesmo instante veio o pensamento a muitos que poderiam pedir ao Salvador para ser o Presbítero Principal da sua pequenina igreja, e como resposta à oração, receberam a confiança de que Ele aceitara o cargo.

Seu único desejo era que Ele fizesse tudo que o presbítero principal fazia até aquela data -- que Ele os tomasse como a Sua propriedade peculiar, que Ele Se preocupasse com cada membro individualmente, e cuidasse de todas as suas necessidades. Prometeram amá-Lo e honrá-Lo, dar-Lhe a confiança dos seus corações, e como crianças, ser guiados pela Sua mente e vontade.

Era uma nova e aberta confissão do lugar que sempre haviam desejado que Cristo ocupasse, não só na sua teologia e vidas pessoais, mas especialmente na Sua igreja. A igreja havia chegado agora a maioridade.

CONCLUSÃO

A história da igreja dos morávios foi contada como um exemplo. Nos primeiros vinte anos da sua existência ela realmente enviou maior número de missionários que toda a Igreja Protestante no mesmo período. Ela somente, entre todas as igrejas, procurou realmente viver a verdade: "que congregar a Cristo as almas pelas quais Ele morreu para salvar é o único objetivo pela qual a Igreja existe". Ela somente procurou ensinar e treinar cada um dos seus membros a considerar como seu primeiro dever para com Aquele que os amou: doar a sua vida para torná-Lo conhecido a outros.

Podemos identificar quatro princípios básicos ensinados pelo Espírito Santo nesta época da Sua grande operação:

1. Que a igreja existe para estender o Reino de Deus em toda a terra.

2. Que cada membro deve ser treinado e preparado para participar deste propósito glorioso.

3. Que a experiência íntima do amor de Cristo é o poder que capacita para este fim.

4. Que a oração é o segredo, a fonte, de tudo isto.

A “graça total” do nosso Senhor Jesus Cristo foi transmitida aos irmãos morávios através de uma revelação do sangue do expirante Cordeiro de Deus. O resultado foi o fogo do Espírito Santo, incendiando as suas vidas numa "dedicação total" para a evangelização do mundo.

Oração organizada, intensiva e perseverante trará hoje os mesmos resultados que trouxe naquela época.

Que o Espírito Santo, nestes dias de restauração em que estamos vivendo, faça-nos arder de amor e paixão pelo Senhor Jesus, e transforme-nos numa igreja gloriosa que O manifeste plenamente; e que assim os pecadores se convertam e se unam a esta comunhão de amor de Deus Pai que temos no Seu Filho Jesus Cristo.

John Walker